
DOCE MENINA
De: Henrique Musashi Ribeiro - Em, agosto de 1997.
Doce menina
tua voz gorjeia em minha mente
como uma gralha em meio a um oco
No mesmo instante em que os meus cupins
castigam o madeiro de minha alma
Posso senti-los em sua avidez
Posso senti-los dentro de meu invólucro de esperança
na agonia de suas vidas tão curtas
quanto tem sido meus amores
a disparam tão efêmeras ao vento de novidades
como pobres almas
Meus amores?
Hodiernas almas perdidas...
Foram apenas sobras coloridas
Tudo isso odeio e desejo a tua boca
como se tu fosses o meu único alento
e esta peleja me cansa,
pois já desconfio que seja apenas
mais uma guerra de caras e bocas
E mesmo assim,
continuo a minha busca
na picada tão estreita do verde de teus olhos
tão plácidos, porém assustadores
pelo paradoxo tão perfeito de tua beleza
escondida por traz de tuas madeixas
a camuflar tuas mais secretas veleidades
de mulher.